Sinjorgran apresenta primeiros levantamentos da Comissão da Verdade dos Jornalistas

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Após a apresentação do documentário “Eu me lembro”, de Luiz Fernando Lobo, na Mostra Cinema pela Verdade, a presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Grande Dourados (Sinjorgran), Karine Segatto, participou do debate para apresentar o caso encontrado pela Comissão da Verdade dos Jornalistas, com a prisão arbitrária, em 1972, de Theodorico Luiz Viegas, jornalista e proprietário da Folha de Dourados

O evento foi realizado na noite de segunda-feira (15), na UFGD (universidade Federal da Grande Dourados) e prossegue com entrada gratuita, hoje (16), com exibição e debate do filme chileno “NO”, de Pablo Larraín, no auditório da FADIR (Rua Quintino Bocaiúva, 2100, Jardim da Figueira).

O caso de Theodorico Luiz Viegas será encaminhado para a Comissão da Verdade, Memória e Justiça da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), como parte do trabalho desenvolvido pela Comissão de Dourados, que continua coletando informações sobre agressões aos jornalistas no período de 1964-1985. Quem tiver alguma informação pode ligar para o Sinjorgran (067 3422-5540) ou então manter contato pelo e-mail sinjorgran@yahoo.com.br, inclusive de maneira anônima.

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Sobre o caso

No ano de 1972, Theodorico Luiz Viegas, jornalista e proprietário do jornal impresso Folha de Dourados, foi detido, agredido, teve a cabeça raspada e sofreu risco de morte, por causa das denúncias que fazia contra a extorsão que um delegado praticava contra taxistas e prostíbulos.

No entanto, o motivo alegado pelo delegado para prender o jornalista foi um editorial contrário a instalação de uma penitenciária na cidade, onde ele questionava que a cidade precisava de mais escolas e não de mais cadeias. O delegado queria saber quem era a fonte da informação, identidade que o jornalista se negou a fornecer, defendendo o sigilo de fonte, garantido pela Lei de Imprensa.

Foram vários os momentos de ameaça de morte, um durante o interrogatório, quando o delegado colocou a arma na mesa e disse:

-Aqui eu quero ver quem é que vai para o buraco, se é eu ou é você?

A ameaça foi seguida por agressão (soco na testa). Outro momento ocorreu durante o transporte que o delegado e um sargento, sem documentos de identificação, estavam fazendo de Theodorico para o 11º RC, na cidade de Ponta Porã, onde eram presos os “subversivos”. No meio do caminho pararam o carro e mandaram que o prisioneiro descesse,  atitude que ele recusou firmemente.

Já no 11º RC, rasparam seus cabelos e o deixaram sem nenhuma proteção contra o frio. A situação só mudou no dia seguinte, com a notícia da prisão sendo publicada em diversos jornais e fazendo com que o coronel comandante Américo Ribeiro, ao se inteirar dos fatos, pedisse desculpas.

Para que Theodorico fosse libertado ainda foi necessária a intervenção do major José Marcondes, ex-combatente que lutou pelo Brasil na Segunda Guerra Mundial e personalidade influente na região. Ele pediu para que o pessoal da Seleta (Sociedade Caritativa e Humanitária) buscasse Theodorico em Ponta Porã e o levasse para Dourados. Ao retornar, uma “multidão”, a partir do aeroporto, o aguardava, a maioria taxistas, sendo recepcionado como herói. O caso está no livro “Triunfo e glória de um guerreiro”, de Luis Carlos Luciano e contêm informações de depoimento gravado com Teodorico Luiz Viegas.

Vereadores cassados

Outro caso mencionado pela presidenta do Sinjorgran, Karine Segatto, foi a cassação dos vereadores Gumercindo Bianchi e Janary Carneiro Santiago e a tentativa de derrubada do prefeito de Dourados, Napoleão Francisco de Souza, acusados de “comunismo”.

A presidenta lembrou que após diversas matérias sobre a Ditadura em Dourados e após a inclusão da bisneta do vereador Gumercindo, Ariadne Bianchi, na Comissão da Verdade dos Jornalistas, a Câmara Municipal preparou um pedido de restituição dos cargos como compensação póstuma e simbólica.

Os procedimentos estão em andamento, articulados pelo vereador Dirceu Longhi e pelo deputado estadual Laerte Tetila, como membro da Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa. O objetivo é fazer a devolução dos cargos até o final de 2013, em solenidade na Câmara de Vereadores.

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