MS tem 21 casos de violência contra jornalistas nos relatórios nacionais

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Ameaças, agressões físicas e verbais, desrespeito ao sigilo de fonte, assédio e processos judiciais, censura, prisão, tortura e assassinatos. De 11 relatórios sobre “Violência e Liberdade de Imprensa no Brasil” publicados pela FENAJ (Federação Nacional de Jornalistas), Mato Grosso do Sul aparece em 07 edições, com casos de violência contra jornalistas nos anos de 2012, 2011, 2009, 2007/2008, 2006, 2005 e 1999.

São 21 denúncias registradas por jornalistas nos Sindicatos dos Jornalistas Profissionais da Grande Dourados (Sinjorgran) e de Mato Grosso do Sul (Sindjor-MS) que foram incluídos pelas entidades nos relatórios nacionais.

Mesmo que o relatório do ano de 2012 ainda não esteja disponibilizado na internet, é possível antecipar com dados do Sinjorgran que o documento registrará os casos de Geraldo Ferreira Martinez (Antonio João), Armando Amorim Anache (Aquidauana), Paulo Rocaro (Ponta Porã) e Ademar Cardoso de Andrade e Eduardo Carvalho (Campo Grande).

A violência deve ser sempre repudiada.

Acompanhe os relatos ano a ano:

2011

AGRESSÕES FÍSICAS E VERBAIS

Débora Louise – Porto Murtinho – 31 de janeiro

A jornalista Débora Louise, assesso­ra de imprensa da Prefeitura de Por­to Murtinho e radialista da emissora Guaicurus foi ofendida verbalmente pelo vereador e radialista Edicarlos Lourenço, em seu programa de rádio matinal pela FM 99,9 Alto Paraguay, emissora localizada na cidade de Car­melo Peralta (PY) na divisa com Porto Murtinho (MS). Apesar de não citar o nome de Débora, era possível saber que os ataques eram direcionados a assessora de imprensa, pois dava to­das as suas características.

A jornalista Débora Louise registrou boletim de ocorrência no dia 3 de feve­reiro contra o radialista Edicarlos. Con­forme o registro, em seu programa do dia 31 de janeiro, Edicarlos injuriou a vítima dizendo que era “sapatão sem vergonha, que usa entorpecentes e que pega as menininhas na calada da noite”, além de outras injúrias que a vítima gravou em CD, o qual foi ane­xado no Boletim de Ocorrência. Res­saltou, ainda que as ofensas vinham ocorrendo desde o dia 21 de janeiro de 2011.

2009

Agressões Físicas e Verbais

João Rocha, João Silva e Josivan Aragão – Dourados – 7 de setembro

Os profissionais estavam na secretaria de Saúde para uma entrevista com a coordenadora da Saúde da Mulher, Cristiane Kruger, quando, ainda no saguão da repartição, o prefeito Ari Artuzi (PDT) avistou a equipe, formada pelo repórter João Rocha, pelo repórter cinematográfico João Silva e pelo auxiliar Josivan Aragão, e dirigiu-se até ela em tom agressivo, intimidando e assediando os jornalistas como se a equipe fosse à responsável pela linha editorial da empresa.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais na Região da Grande Dourados (Sinjorgran) emitiu nota afirmando que o prefeito demonstrou sua dificuldade de conviver democraticamente e sua incompreensão do significado conceitual e prático da democracia e da liberdade de imprensa.

Henrique de Matos – Dourados – 20 de setembro

O repórter fazia uma entrevista com o secretário de Obras do Município, William Bussuan, no gabinete do secretário, quando, mais uma vez, o prefeito Ari Artuzi (PDT) entrou no recinto e começou a ofender o repórter.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais na Região da Grande Dourados (Sinjorgran) repudiou a atitude do prefeito pela maneira intimadora, constrangedora e desrespeitosa dirigida ao jornalista e afirmou que jamais vai admitir gestos truculentos com seus filiados quando os mesmos estiverem no exercício pleno de suas atividades.

2007-2008

Ameaças

Lucyana Cabral (repórter) e Waldemir Barbosa (repórter fotográfico) – Campo Grande – 26 de março

A equipe de reportagem do Jornal Última Hora foi recepcionada com truculência por guardas municipais, quando tentava realizar uma matéria sobre o surto de dengue que atinge a cidade de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul (MS). Os Guardas municipais tentaram tomar o equipamento fotográfico do repórter e também ameaçaram os jornalistas.

Censura e processos judiciais

Vários jornalistas – Campo Grande – 13 de dezembro

O juiz substituto Adriano da Rosa Bastos, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande encaminhou ofício a alguns veículos do Mato Grosso do Sul vedando a divulgação de qualquer informação relativa ao processo de Douglas Igor da Silva Fernandes, acusado de cinco estupros e já réu em outros processos. O ofício, que frisa a proibição de divulgação das datas de audiência, foi enviado à TV Campo Grande, afiliada do SBT, e aos sites noticiosos Campo Grande News, Midiamaxnews, Noticias MS, Aqui TV e Portal MS. Os jornais Correio do Estado e Estado de MS e a TV Morena não receberam o documento, que define a pena de desobediência, segundo artigo 330 do Código Penal, para noticiar fatos relativos à ação.

2006

Assassinatos

André Felipe – Campo Grande – 4 de fevereiro

Funcionário das rádios Mega 94 e Cultura AM, André Felipe foi morto a tiros, em Campo Grande (MS), no dia 4 de fevereiro. Os supostos assassinos, Ronaldo Everaldo Ferreira Marinho e Bruno da Silva Galvão, dois militares da ativa, confessaram ter querido “dar medo” na vítima e roubá-la.

José Késsio – Ponta-Porã – 13 de março

Ainda em Mato Grosso do Sul, na cidade de Ponta-Porã, fronteira com o Paraguai, José Késsio, da Amambay FM, foi morto, em 13 de março, com onze balas calibre 9, por um indivíduo que veio ao seu encontro na própria rádio.

Segundo as informações obtidas por “Repórteres sem Fronteiras”, o filho da vítima, de 10 anos, testemunha direta do assassinato, identificou formalmente Renato José Fonseca Chiodi, amigo de infância do pai e ex-vizinho.

O suposto assassino é reincidente. Ele estava no Paraguai desde 2003, ano em que fugiu da prisão. A hipótese de um acerto pessoal de contas é a mais provável.

Agressões Físicas e Verbais

Ginez César – Dourados – 14 de fevereiro

No dia 14 de fevereiro, o jornalista Ginez Cesar cobria a inauguração do campus II da Uniderp pelo Jornal O Progresso quando foi agredido verbalmente pelo prefeito de Dourados (MS), Laerte Tetila.

Ele criticou reportagens sobre sua administração veiculadas pelo jornal e pela TV Morena, onde Ginez é repórter e apresentador do telejornal. O prefeito acusou o profissional de fazer “jornalismo terrorista”.

O Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados (Sinjorgran), o Clube de Imprensa de Dourados e o Sindicato dos Jornalistas do Mato Grosso do Sul (SindJor-MS) solidarizaram-se com o colega e condenaram a agressão à liberdade de imprensa praticada pelo prefeito.

Prisão e tortura

João Carlos Castro – Campo Grande – 23 de outubro

Um grupo de dez militares perseguiram, agrediram e prenderam o repórter-fotográfico João Carlos Castro no dia 23 de outubro. Em companhia do também repórter fotográfico Adriano Hany, Castro tentava fotografar por cima do muro do Quartel da Polícia do Exército de Campo Grande (MS), onde um tiro de fuzil teria causado a morte de um soldado.

Ao serem avistados, o grupo de policiais passou a persegui-los. Hany jogou a máquina fotográfica no carro de reportagem, pediu para o motorista “correr” e fugiu. Castro não teve a mesma sorte. Foi alcançado, agredido e preso no quartel da Polícia do Exército.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso do Sul (SindJor-MS) emitiu uma Nota de Repúdio à postura da Polícia do Exército. No documento o sindicato expressa “a plena consciência do respeito que o Exército brasileiro merece enquanto instituição responsável pela salvaguarda das nossas fronteiras e pela defesa dos valores da pátria, o Sindjor-MS lamenta profundamente o ocorrido e exige uma apuração imediata dos fatos, a identificação dos agressores e a punição exemplar aos culpados”.

Marta Alves – Dourados – 4 de abril

Marta Alves, 48 anos, foi presa no dia 4 de abril, durante manifestação de repúdio de estudantes, amigos e familiares dos policiais vítimas de assassinato ocorridas no sábado, 1º de abril. Ela se apresentou como correspondente da Agência Estado.

Conforme informações, Marta estaria filmando e fotografando a manifestação quando foi agredida por membros do protesto que a identificaram como sendo integrante de uma ONG de defesa aos índios.

Ela teria se identificado como jornalista quando os policiais, para conter o tumulto, detiveram a acusada. Ela foi encaminhada à delegacia no 1º Distrito Policial de Dourados.

Segundo Marta, o policial civil Marcelo Barros pegou a máquina e jogou no chão. Em seguida tentou agredi-la com um tapa, provocando um tumulto.

Marta disse ainda que foi arrastada para o camburão da polícia, impedida de usar o telefone e teve o braço direito preso ao banco do corredor da delegacia durante três horas.

2005

Agressões Físicas e Verbais

Cristiane Guimarães – Dourados – 8 de novembro

Em nota oficial, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Região da Grande Dourados (Sinjorgran) e o Clube de Imprensa de Dourados (CID) repudiaram a atitude de intimidação do prefeito de Itaporã, Marcos Pacco, feita pessoalmente contra a jornalista Cristiane Guimarães, do jornal O Progresso.

A agressão verbal foi motivada por uma reportagem publicada na edição dos dias 5 e 6 de novembro, do Caderno Dia-a-Dia, sob o título “Crianças perdem aula em dia de chuva”, que desagradou o chefe do Executivo Municipal.

A entidade reitera que esse tipo de postura “fere a liberdade de imprensa, transgride o processo democrático e é total desrespeito à profissional”.

E repudia também o fato de o prefeito ameaçar, conforme relato da jornalista, romper o contrato comercial com a empresa por causa da reportagem.

A nota também rechaça a atitude da secretária de Educação, Denise Pacco, que insistiu em querer ver a matéria antes da publicação, “outro gesto, absolutamente reprovável”.

Paulo Fernandes – Campo Grande – 29 de junho

O repórter Paulo Fernandes, do jornal O Estado, foi agredido pelo deputado Raul Freixes (PTB), durante sessão na Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Ao ser perguntado sobre processo em que é acusado de improbidade administrativa, por denúncia do Ministério Público Estadual, o parlamentar empurrou o repórter, jogou seu gravador no chão e o agrediu verbalmente. Paulo Fernandes registrou queixa na delegacia.

Freixes disse que “perdeu a cabeça” por causa da “perseguição” do jornal, que noticia acusações contra ele. O deputado reconhece que responde por processos, mas argumenta que não foi condenado em nenhum.

Segundo ele, o proprietário do jornal, o empresário do setor de curtume Jaime Valler, estaria incomodado com projeto de lei, de sua autoria, que incentiva outras empresas do ramo se instalarem em Mato Grosso do Sul.

Em nota oficial, a FENAJ exigiu das autoridades estaduais a apuração do caso e responsabilização pela violência e constrangimentos sofridos pelo jornalista.

Ameaças

José Henrique Marques – Dourados – Agosto

O ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Região da Grande Dourados (Sinjorgran), José Henrique Marques, registrou ocorrência no 1º Distrito Policial de Dourados, no dia 12 de agosto, por causa de ameaças anônimas que estava recebendo.

O Sinjorgran cobrou da polícia rigor na investigação e apoio da FENAJ. O sindicato diz que não é o primeiro caso de ameaças, num curto espaço de tempo. Ele acredita que a polícia vai mostrar as peças de um suposto esquema que tenta calar jornalistas.

Assédio Judicial

Edilce Mesnerovicz e Suki Ozaki e a revista Metrópole – Campo Grande – Janeiro

A Missão Messiânica entrou com processo contra a Revista “Metrópole” e as jornalistas Edilce Mesnerovicz e Suki Ozaki, de Campo Grande (MS), por publicarem denúncia de pedofilia contra o presidente regional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Bispo dom Bruno Pedron. Elas relataram ainda que receberam ameaças e foram perseguidas enquanto estavam fazendo a matéria.

Desrespeito ao Sigilo de Fonte

Grupo de jornalistas – agosto

O delegado de Polícia Civil Marcos Pinheiro da Silva intimou jornalistas de Mato Grosso do Sul a prestarem esclarecimentos sobre como obtiveram informações sobre o homicídio de Murilo Alcade e Eliane Ortiz, publicadas pela imprensa. Os Sindicatos dos Jornalistas do Estado e de Dourados emitiram notas de repúdio contra o “abuso de autoridade que em nada se compatibiliza com o Estado de Direito e com a democracia” e lembrando que “o sigilo da fonte é um direito indiscutível, inalienável, inquestionável, assegurado em lei. É um instrumento que permite ao jornalista profissional levar à sociedade aspectos detalhados sobre assuntos polêmicos e controvertidos, preservando assim a integridade de vítimas e informantes”.

1999

TVE, Mato Grosso do Sul (novembro)

Membros do governo de José Orcílio Miranda dos Santos (Zeca do PT), teriam censurado matéria da TVE do Estado envolvendo a votação, na Assembléia Legislativa, da emenda ao projeto de combate ao nepotismo.

Confira todos os relatórios no link: http://www.fenaj.org.br/comhumanos.php

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