Nova direção da FENAJ toma posse em solenidade no Rio de Janeiro

Eleitas em processo direto realizado nos dias 16 a 18 de julho, as novas diretoria da FENAJ e Comissão Nacional de Ética dos Jornalistas tomaram posse para o mandato 2013 – 2016 em solenidade no dia 24 de agosto, no Rio de Janeiro. Em seu discurso de posse, o presidente da FENAJ, Celso Schröder, destacou as principais lutas dos jornalistas brasileiros a serem encaminhadas na nova gestão.

No início da solenidade, Schröder agradeceu o empenho dos dirigentes que compunham a direção que se encerrou e não prosseguirão no novo mandato. Também saudou o ingresso de novos dirigentes na Federação. A gestão 2013 – 2016 tem uma renovação de 35% em relação à direção anterior.

Celso Schröder agradeceu o trabalho da coordenação da campanha da chapa “Sou Jornalista, Sou FENAJ!”, vitoriosa na eleição de julho, como também o apoio da grande maioria dos Sindicatos de Jornalistas. Citou, também, a contribuição da chapa de oposição, que propiciou o debate e valorizou a escolha que a maioria dos jornalistas expressou, convidando-a a compor “uma unidade na ação em torno dos temas em que temos concordância”.

Entre as principais desafios da nova gestão e da categoria para o próximo período Celso Schröder destacou as lutas pela aprovação da PEC do Diploma, pela criação do Piso Salarial nacional para a categoria, a implementação das Novas Diretrizes Curriculares de Jornalismo, a Democratização da Comunicação, o Combate à Violência contra Jornalistas e o reforço à ação internacional do movimento sindical dos jornalistas brasileiros.

A jornalista Beth Costa, Secretária Executiva da Federação Internacional dos Jornalistas e eleita para a Comissão Nacional de Ética dos Jornalistas, ressaltou em seu discurso a importância da representatividade que a FENAJ tem assumido a nível internacional.

Confira, a seguir, a íntegra do discurso de posse do presidente da FENAJ.

Movimento sindical dos jornalistas é trincheira de defesa do Jornalismo

Companheiros e companheiras, autoridades, convidados e parceiros,

Quero, em nome da nova diretoria eleita, agradecer a presença de todos e saudar cada um e cada uma com a cumplicidade de parceiros e a intimidade de amigos;

Agradecer aos companheiros da direção que encerra neste momento a sua missão, nada fácil garanto aos senhores, por compartilhar a responsabilidade e a honra de dirigir esta federação nestes últimos três anos;

Saudar aos novos companheiros e companheiras que, ao mesmo tempo que agregam experiência e conhecimento, renovam consideravelmente esta gestão que inicia hoje;

Empenhar o compromisso com os jornalistas que mais uma vez respaldaram uma direção que se esforça em representá-los de forma indiscutível e clara;

Agradecer aos aliados que apoiaram este grupo que assume a direção da Federação Nacional dos Jornalistas;

Quero fazer um agradecimento especial aos companheiros que conduziram a campanha e garantiram nossa vitória. Faço isto no nome da minha vice-presidente Maria José Braga, incansável como sempre na articulação e condução de uma eleição direta num país das dimensões do Brasil. E especialmente agradecer aos dirigentes dos sindicatos que apoiam este projeto e que são, efetivamente, os responsáveis pela vitória, na medida que são aqueles que avalizam os nomes e o programa da chapa Sou Jornalista, sou FENAJ. Porque, embora amigos e companheiros, somos muito mais do que isso. Somos concretamente aqueles que dirigimos o movimento sindical dos jornalistas brasileiros.

Quero, também, saudar e agradecer a participação da nossa oposição que, ressalvando momentos específicos e afirmações pontuais que refutamos cordial, porém firmemente, propiciou o debate e valorizou a escolha que a maioria dos jornalistas expressou. Convido-os a comporem conosco, imediatamente, uma unidade na ação em torno dos temas em que temos concordância.

Estas ações, embora constantes no programa da chapa vencedora, foram apontadas pelos jornalistas brasileiros nos últimos congressos e encontros da categoria. A mais central e decisiva é a luta pela volta do diploma de jornalista como requisito de acesso à profissão. A vitória no Senado só nos deve dar a certeza do acerto ao elegermos esta batalha como decisiva para o exercício regular da profissão. De modo que a mobilização para a vitória final na Câmara dos Deputados deve ser um compromisso concreto e real de todo jornalista e de cada Sindicato da categoria.

Do mesmo modo, a manifestação de cerca de 92% dos entrevistados na Pesquisa “Perfil do Jornalista Brasileiro”, realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina com apoio da FENAJ e em parceria com nossos aliados do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo e da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo, nos dá a certeza do acerto de lutarmos imediatamente por um Conselho Federal dos Jornalistas.

Como consequência lógica da escolha da formação de terceiro grau para o exercício profissional, a reivindicação de um ensino de qualidade se transformou numa tarefa constante para a FENAJ. As novas diretrizes para o ensino do jornalismo, prontas para serem implementadas pelo Ministério da Educação, reproduzem,em grande parte, o Programa de Qualidade do Ensino de Jornalismo, elaborado e defendido pela FENAJ.

Além de uma melhor formação, a valorização do trabalho dos jornalistas é fundamental para uma maior qualificação da produção de informação de interesse público, razão de ser da atividade jornalística. E a retomada da luta por um piso salarial nacional é a melhor forma de combate à precarização das relações de trabalho, que assola a profissão e condena milhares de jornalistas a uma vida que não condiz com a importância e a relevância social da profissão.

A luta pela democratização da comunicação continua sendo o eixo estratégico da Federação Nacional dos Jornalistas. A FENAJ continuará a lutar e a reivindicar do governo federal a imediata apresentação de um projeto de novo Marco Regulatório das Comunicações respaldado nas resoluções da histórica I CONFECOM, momento no qual, como nunca antes na história deste país, discutiu-se políticas para o setor.

Igualmente precisamos reagir à violência que se abate sobre o jornalismo e sobre os jornalistas. Esta violência assume variadas formas e intensidade, mas a razão parece ser a mesma: incompreensão ou intolerância de determinados setores com a exposição pública de seus interesses. De modo que as causas, complexas e múltiplas, precisam ser enfrentadas com ações articuladas e eficientes. Por isso esta direção construiu um rol de ações que vão desde uma lei que federaliza as investigações de crimes contra jornalistas, passando por um observatório, de caráter público, constituído a partir da Secretaria de Diretos Humanos da Presidência da República, até um protocolo a ser assumido pelas empresas de maneira a garantir a seus trabalhadores treinamento, seguro de vida e saúde, equipamentos eficientes, comissão de redação para avaliar pautas e encaminhar enfoques a serem explorados.

Esta agenda, juntamente com a presença internacional, é o contrato que esta direção assume com os jornalistas e a sociedade brasileira. Para realizá-lo, dispomos da dedicação militante dos dirigentes da FENAJ e dos Sindicatos de Jornalistas que melhor representam as aspirações de nossa categoria das diversas regiões do país. É com grande orgulho que compartilhamos a direção com ex-presidentes da Federação como a Beth Costa e Sérgio Murillo, para citar apenas dois dos nossos melhores quadros, que nos honram com suas participações na Comissão Nacional de Ética dos Jornalistas. E ao saudá-los, nos congratulamos também com os novos membros da CNE, Mário Messagi Junior, Beatriz Barbosa e Ângela Marinho.

Com uma renovação de cerca de 35% dos seus quadros, e mantendo a representatividade e experiência, dedicamos nosso esforço, fraternidade e combatividade a serviço do jornalismo e dos jornalistas. Este é o nosso compromisso assumido sob a responsabilidade de termos sido eleitos com o respaldo da ampla maioria dos profissionais que participaram da eleição direta da FENAJ e com o apoio da expressiva maioria dos sindicatos da categoria.

Sem nenhum triunfalismo ingênuo, ou derrotismo imobilizante precisamos todos, direções da FENAJ e Sindicatos, centrais sindicais, jornalistas e sociedade civil, levantar bem alto a bandeira da defesa dos jornalistas e do jornalismo como aqueles que darão sentido a um mundo submetido a um bombardeio de dados e opiniões que, segundo Ignacio Ramonet, mais obscurece do que ilumina. A nossa tarefa, já dizia Adelmo Genro Filho – para terminar com mais uma citação – nem sempre é épica, mas é exclusiva nossa. O jornalismo é a base da democracia, somos nós quem o realiza e o sindicalismo é sua trincheira de defesa.

Obrigado mais uma vez pela presença de todos e vamos à luta!

Celso Schröder
Presidente da FENAJ

 

Fonte: Fenaj

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