O Dia do Jornalista e o engajamento

Por Luís Carlos Luciano*

Vou me ater ao jornalismo enquanto categoria neste 7 de abril, Dia do Jornalista, no âmbito local, dando apenas uma pincelada no jornalismo enquanto instituição social.

Um jornalista consciente, qualificado e preparado politicamente tem uma força de leão dentro de si para provocar a causa coletiva e melhor equilíbrio nas relações sociais.

Não acredito no jornalismo cartorial, ou seja, naquele sem sentimentos, sem vibração, sem intensidade e sem sangue nas veias.

jornalista

O jornalista é um ser político e como tal ele tem responsabilidades que vão além do compromisso diário com a notícia.

Tem compromisso com a razão, a verdade, a ética, o senso de justiça, com a fé naquilo que faz e na objetividade.

Mas quem manda na empresa não é o patrão?

“Quem quiser escrever o que quer que monte o seu próprio jornal”, já ouvi muito isso.

Mas quem produz a notícia não é o patrão.

Ele toca um negócio que precisa dar lucro e, para isso, precisa atender interesses nem sempre decentes.

Quem escreve a notícia é o jornalista.

Então que sejamos verdadeiramente protagonistas dessa ação e não cérebros orquestrados como marionetes!

Se a pauta que lhe vem às mãos está viciada, então que se recorra ao Código de Ética do Jornalista e contra-argumente.

Se o incômodo pode gerar a demissão, quero ver a empresa suportar o peso de toda uma redação incomodada…

Procure o sindicato!

O que nos falta, entre outras coisas, é esse espírito coletivo.

Temos a escrita para denunciar esses absurdos e se uma dita empresa é servil com os poderosos hoje temos as redes sociais para desnudar os abusos e abrir mentes e corações para a verdade e não para a tapeação e a dissimulação.

Talvez tenhamos quase nada a comemorar no âmbito regional nessa data porque, a despeito das poucas e ainda tímidas conquistas e por mais que façamos e façamos praticamente tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes…

Em certa perspectiva há retrocesso porque foi extinto o único curso de Jornalismo de onde brotaram vários profissionais hoje se destacando.

E dê-lhe o SINJORGRAN aquecer suas turbinas para cobrar exaustivamente o curso na UFGD…

Podem até dizer que ideologia não enche barriga e nem leva pão para casa e isso é bem verdade.

Talvez por conta dessa realidade muitos colegas acabem se preocupando em sobreviver sem se preocupar com a dimensão do seu trabalho e com a perspectiva de classe.

Mas, o que fazer então?

Se curvar à política neonazista que nos diminui, nos vilipendia e nos toma a esperança?

Não seria preferível morrer em pé lutando a se curvar a isso?

Em outro aspecto o jornalismo aqui enquanto profissão não teve avanço e envelheceu. Sim, surgiram novas oportunidades de trabalho, mas a que custo?

Os salários continuam baixos há décadas e as condições de trabalho avançam na direção da precariedade levando o jovem profissional a ser repórter, fotógrafo, motorista e às vezes até colunista político ou social.

Um só fazendo o trabalho de outros dois ou três com o mesmo salário!

E ainda assim sob pressão e a carranca do chefe.

Daí o estresse muito alto, o alcoolismo, as doenças e distúrbios psicológicos advindos do exercício tão nobre, mas ao mesmo tempo tão ingrato na compensação…

Eu penso diferente, já comi o pão que o diabo amassou nessa atividade e daí o meu engajamento na luta há vários anos, mas eu e os poucos companheir@s da diretoria fazemos aquilo que está ao alcance de nossos braços e respeitamos as opções dos colegas inclusive a de não participar do sindicato.

Ser sindicalista da área em Dourados é ter a testa marcada pelo patrão. Salvo a exceção das exceções, poucos respeitam o nosso direito de reclamar, contrapor e lutar por nossos direitos.

A força de um sindicato se mede pela participação de sua categoria e pela dedicação e comprometimento de seus dirigentes.

Dizendo isso podem até pensar que o SINJORGRAN é fraco.

Que pensem assim…

Os incautos não imaginam, parafraseando a passagem bíblica, que temos uma versão pós-moderna das buzinas de chifres de carneiro usadas pelos sacerdotes para derrubar as muralhas de Jericó…

O sindicato poderia ser mais forte se houvesse maior engajamento.

Nós defendemos os jornalistas com unhas, dentes, socos e pontapés, mas não compactuamos com os maus jornalistas e muito menos com o mau jornalismo.

Não alisamos a falta de ética e a conivência com os porcos capitalistas e mandatários de plantão pouco preocupados com o senso coletivo.

Car@s colegas, se unidos a luta não é nada fácil, divididos então…

Que então esta data seja pelo menos de uma retomada de consciência, de uma reflexão séria e responsável porque ainda temos muito a fazer e não vamos ficar aqui com lamúrias.

Um jornalismo de qualidade interessa a todos, faz bem à democracia, lança esperança e luz sobre o sombrio.

E nós, jornalistas, temos que protagonizar essa mudança.

  • Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais na Região da Grandee Dourados (SINJORGRAN) e diretor da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).
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