Agressão física foi a violência mais frequente contra jornalistas em 2016

Os casos de violência contra jornalistas no Brasil cresceram 17,52% em 2016, na comparação com o ano anterior. Foram registradas 161 ocorrências em que 222 profissionais de todo o país foram submetidos a agressões físicas ou verbais, ameaças, intimidações, cerceamento por meio de ações judiciais, impedimentos ao exercício profissional e à atividade sindical, prisão, censura, atentados e assassinatos. As informações constam do Relatório de Violência Contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil 2016, apresentado pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) nesta quinta-feira (12/01), no Rio de Janeiro.

“Apesar dos números alarmantes, temos a impressão de que os dados são subestimados. Muitos casos não se tornam públicos, pois o jornalista tem medo de se expor ao denunciar quando é vítima de violência. Identificar os casos de censura também ainda é um desafio. No relatório, são poucos, mas sabemos que esse número é muito maior”, afirmou a presidenta da FENAJ, Maria José Braga, durante a apresentação no auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.

Dois jornalistas foram assassinados no Brasil no ano passado: João Miranda do Carmo, morto com sete tiros por denunciar em seu blog problemas em Santo Antônio do Descoberto, em Goiás, e Maurício Campos Reis, dono do jornal ‘O Grito’, que foi assassinado em uma emboscada na cidade de Santa Luzia, em Minas Gerais.

Entre as ocorrências registradas no relatório, a agressão física foi a forma mais frequente de violência contra profissionais da imprensa: 36,03% dos casos. Agressões verbais (16,15%), ameaças (14,91%) e cerceamento à liberdade de expressão por meio de ações judiciais (11,18%) aparecem em seguida.

A Região Sudeste concentrou a maioria dos casos compilados no relatório: 44,10%. A violência contra jornalistas em manifestações fez com que o Sul ocupasse o segundo lugar no ranking, com 18,63% dos casos. O Nordeste apresentou queda expressiva nas ocorrências, especialmente entre os chamados ‘crimes por encomenda’, que eram frequentes na região.

Os profissionais de televisão são os maiores alvos da violência (31,83%), de acordo com o relatório. A maior facilidade de identificar esse trabalhadores, e os riscos a que ele está exposto, são algumas das razões apontadas para incidência maior de casos nesse grupo, segundo a presidenta da Fenaj.

“Temos que encontrar uma forma de resguardar a integridade física dos profissionais de imagem”, disse Maria José Braga.

Já entre os agressores, policiais militares e guardas civis despontam como os maiores algozes dos jornalistas brasileiros – tendo sido responsáveis por 25,47% das ocorrências relatadas. Mas a quantidade expressiva de casos envolvendo manifestantes também é preocupante, de acordo com Maria José Braga:

“Isso é bastante complicado. Temos acompanhado a atuação importante de alguns sindicatos junto aos movimentos e fóruns populares para informar e alertar sobre a importância do trabalho do jornalista e que os profissionais não devem ser agredidos”

São também notáveis as presenças de políticos – e seus assessores e familiares – (15,53% dos casos) e membros do Poder Judiciário (10,56%), como juízes, procuradores e oficiais de justiça, entre os principais agressores de jornalistas no país.

“Não há justificativa para violência contra jornalistas e é preciso denunciar, pois a impunidade é o combustível da violência”, ressaltou Maria José Braga, presidenta da FENAJ..

O Relatório de Violência contra Jornalistas e Liberdade de Expressão no Brasil 2016 é produzido pela FENAJ em parceria com os 31 sindicatos de jornalistas do país.

Legenda: Presidenta da FENAJ, Maria José Braga, durante a coletiva no Rio. Foto Divulgação

Fonte: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio.

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